domingo, 15 de julho de 2012

Virus da Imunodeficiência Felina (FIV)


Existem numerosos artigos sobre o FIV, ou Vírus da Imunodeficiência Felina, em diferentes sites e publicações, alguns bastante bem feitos, sérios, cientificamente fundamentados e já sem os preconceitos por vezes demasiado tenazes, que afectaram em tempos os portadores de SIDA humanos.
Dada a multiplicidade de boa informação disponível, vamos fazer apenas um breve resumo do que é e de como se apresenta o FIV.
O FIVDescoberto no gato doméstico em 1986 por uma equipa de investigadores americanos, o Vírus do FIV é genética, morfológica, funcional e patologicamente semelhante ao HIV, mas transmite-se apenas entre felinos e não ao homem (1) nem às outras espécies animais.

Ambos são da família dos lentivírus, ou seja, vírus de acção lenta.
Tal como no SIDA humano, a infecção pelo FIV processa-se em dois tempos: uma fase de penetração do vírus, seguida de uma fase de propagação no organismo hospedeiro. Uma enzima viral, a transcriptase inversa, permite que o vírus (cuja informação genética é constituída por um filamento único de RNA) se transcreva num filamento de ADN (retrotranscrição). Este duplica-se e os dois filamentos integram-se no próprio seio dos cromossomas dos linfócitos infectados.
Em seguida, o vírus mantém-se inactivo durante um longo período que pode durar anos (daí o nome de lentivírus), até que a maquinaria celular produza, a partir dos genes virais, inúmeros virions. A superfície dos linfócitos fica alterada e estes deixam de ser reconhecidos pelas outras células protectoras do sangue, que os atacam e eliminam, criando deste modo um estado de imunodeficiência.
A sucessão das diferentes fases patológicas induzidas pelo FIV é semelhante às induzidas pelo HIV no homem:
  • A primeira etapa da infecção caracteriza-se por uma curta fase clínica de cerca de um mês, seguida de um período de incubação de duração equivalente.
  • A segunda etapa é a da seropositividade assintomática: tal como o homem nesta fase da infecção pelo HIV, o gato apresenta-se de boa saúde mas potencialmente contaminante. Não se sabe com exactidão qual a duração desta fase, mas pode prolongar-se por vários anos.
  • A terceira etapa da doença é constituída por uma linfadenopatia generalizada, síndroma caracterizado pelo inchaço dos gânglios linfáticos, que persiste em geral durante um ano, no máximo.
  • Por fim, a última etapa divide-se muitas vezes em duas partes: o ARC (AIDS Related Complex), que consiste no surgimento de sintomas associados à linfadenopatia da fase precedente, e a SIDA, caracterizada pela perda de defesas imunitárias que favorecem o surgimento de doenças oportunistas, que causarão a morte a curto prazo.
O gato que atinge esta fase tem uma esperança de vida de cerca de 3 meses, no máximo.
Tal como na SIDA humana, só é possível utilizar um tratamento paliativo

O fraco impacto do FIV nos gatos errantesSegundo as amostras sanguíneas obtidas em populações de gatos errantes por equipas de investigadores um pouco por todo o mundo, a taxa de prevalência é de 9 a 33%, consoante as populações. Uma síntese do conjunto dos trabalhos epidemiológicos realizados em todos os continentes dá como resultado uma taxa média de 11%, o que equivale a cerca de 45 milhões de gatos infectados dos cerca de 400 milhões de gatos domésticos que se calcula existirem em todo o planeta.

A especificidade do FIV entre as diferentes espécies de felinos, bem como a repartição mundial do vírus, a prova serológica da sua existência desde há pelo menos 25 anos e o fraco impacto do vírus (relativamente às outras causas de mortalidade) nas populações de gatos errantes constituem argumentos a favor do surgimento remoto do FIV, talvez mesmo antes da divisão dos felídeos nas diferentes espécies, há 3 a 6 milhões de anos.
Dado que um gato errante vive, em média, 3 a 4 anos e, em geral, não é infectado antes da idade de 1 ano,  poucos vivem tempo suficiente para morrer devido ao vírus do FIV, o que pode explicar o fraco impacto deste vírus nas populações errantes.

A  castração e a esterilização na base do controlo do FIV
Estudos orientados para o controlo e informação sobre o FIV demonstraram que, nas zonas em que comunidades de errantes são cruelmente dizimadas pela paranóia e histeria relativamente ao FIV, a prevalência deste vírus não é inferior à verificada noutras áreas em que as associações de protecção do gato não testam (3) nem eutanasiam os positivos.
Em contrapartida, nas comunidades protegidas, tratadas, alimentadas e sobretudo esterilizadas e castradas, os dados apontam para o controlo do vírus, ajudando a manter estável a população mundial de gatos infectados e mesmo a reduzi-la.



A salvação do gato errante, e mesmo do gato de família, muitas vezes positivo sem que se saiba, reside na sua CASTRAÇÃO, ESTERILIZAÇÃO, ALIMENTAÇÃO e PROTECÇÃO, já que o vírus residente na saliva utiliza como veículo o sangue, presente no acasalamento ou na dentada profunda aquando das lutas entre gatos, em geral adultos solitários ou chefes de clã, que defendem o seu território, a escassa comida ou a reprodução.

Por último, nunca é demais lembrar que a transmissão de mãe para filho é rara ou mesmo inexistente. Do mesmo modo, é igualmente raro o contágio entre gatos da mesma casa, se forem castrados, devidamente alimentados e vacinados.
O gato FIV+ não precisa pois de ser isolado, se forem respeitadas as regras básicas que permitem a boa convivência, a higiene e a saúde do grupo em que vive. O vírus sobrevive apenas cerca de 10 minutos ao ar livre e é eliminado pelo mais comum dos produtos de limpeza.
Por outro lado, a solidão, o isolamento, a tristeza da rejeição e o stress podem precipitar o surgimento da fase de declaração da doença.





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